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sábado, 15 de agosto de 2009

Minha mãe me mandou um texto lindo falando do que aprendemos quando viajamos, e nele está escrito que a gente aprende principalmente o quanto as pessoas são iguais em todos os lugares do mundo. E que têm aspirações muito parecidas- senão iguais às nossas- e o que mais importante das viagens sem dúvida alguma, são as pessoas que você conhece pelo caminho. O texto exemplificava dizendo que se vc tem um amigo no Afeganistão vc não vai querer que nada de ruim aconteça naquela parte do mundo, porque isso afetaria a vida do seu amigo.

Essa semana eu senti isso com muita verdade. Eu só reclamava desse lugar, acho que reclamei mais do que vi o real sentido das coisas. Porque o emprego é ruim, porque eu sinto saudades, porque eu tô sozinha, porque eu não consigo me expressar em inglês, porque eu não como direito, enfim, só reclamações e reclamei tanto que nem percebi o que de bom estava acontecendo no mesmo momento.

Semana passada eu voltei a trabalhar na lanchonete, eu frito batata, coloco hod dog no forno, atendo no caixa, me queimo, engulo sapo de guest americano, mas eu faço amigos, eu converso, eu conheço gente de todos os lugares do mundo, que assim como eu, em seus países nunca fariam um serviço desses que estamos fazendo agora.

Eu reclamei de voltar prá lá e não mais ser "representante do Brasil na Disney" mas eu vi o quanto estar naquele lugar foi bom prá mim, o quanto eu fiz amigos mesmo sem saber me comunicar direito, com meia dúzia de palavras e mais meia dúzia de verbos mal conjugados eu conheci a Jenny, a Tracy, a Valeri, a Mileyza, a Maria... chinesas, tawanesas, porto-riquenhas, americanas e mexicanas. E quando meu Deus eu teria a oportunidade de ter uma amiga na China??

E que aprendizado, uma menina chinesa se envolveu com um muçulmano e a sua família nunca aceitaria o namoro, e ela aceita não como uma pessoa passiva, mas por respeito aos seus costumes, mas mesmo assim não deixou de viver a "aventura amorosa na América". E eu era uma das poucas pessoas que sabiam dessa história de vida dela e ela, no último dia de EUA, me fala que se pudesse ter uma irmã queria que fosse eu...

Ah! Isso é muito mais importante do que qualquer outra coisa, isso é muito mais do que fazer hot dog e batata frita nos EUA. Isso é aprendizado de vida. E hoje eu sei que eu tenho uma amiga na China!

E toda vez que eu pensar na China, com todos os erros e acertos daquele lugar e tudo que eu discordo, eu só vou pensar que não quero que nada aconteça de mal em Shangai, porque eu tenho uma amiga em Shangai e, quem sabe, uma irmã!

Essas coisas fazem as experiências valerem a pena.. e eu aprendi e aprendo muito mais do que falar inglês nesse lugar.

Eu reclamo, mas eu agradeço MUITO à Deus por ter me dado essa oportunidade. O importante na vida realmente são as pessoas que você conhece muito mais do que qualquer outra coisa. E como eu amo as minhas pessoas lá em Volta Redonda.. e que saudade eu sinto delas... mas como está sendo legal fazer amigos de outras partes do mundo...

E mais ainda, como está sendo legal conhecer a mim mesma nessa temporada.. Saber que eu posso sim, ultrapassar meus limites e que as coisas não são perfeitas como nos sonhos, mas mesmo assim podem ser maravilhosas.. é só escolher o ângulo certo para olhar e olhar prá frente sempre, sem perder o foco!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Eu passeio com o meu cachorro todo dia em uma pracinha perto da minha casa. Ele toma banho em um Pet Shopp também perto da minha casa. E o Chopp é meio temperamental, tem dias que ele está ótimo e conversa com todos os cachorros e seus respectivos donos no caminho, mas tem dias que sai rosnando prá todo mundo.

E ainda tem o Dudu, um cachorrinho igualzinho à ele, só que o Dudu é mais velho e acho que ele ficou com enciumado e puto da vida pq todo mundo começou a confundir ele com o Chopp e assim respectivamente. Então toda vez que o Dudu e o Chopp se encontram eles brigam. Não adianta segurar, os dois são umas gracinhas, deitam prá fazer carinho, mas quando se encontram viram bicho- literalmente. Um vai prá cima do outro e eles se encontram no ar, parece que estão no ringue, e não adianta tentar uma aproximação, eles sempre brigam!

Também tem a Suzy, eles se amam de paixão! Quando se encontram é como se fossem velhos amigos que não se vêem há muito tempo. Tem a Luna, o Rex, um poodle branco que eu sempre esqueço o nome. Além dos cachorros da Pet Shopp que a gt acaba conhecendo mesmo que de nome.

Ainda tem os cachorros de rua. Aqueles que fazem da praça a sua casa e que protegem com unhas e dentes o seu território. Tem uma senhora que anda com quatro cachorros cada um com uma camisa diferente. Os cachorros dentro de uma carroça e ela puxando. Tem um branquinho, um malhado, um preto e grande, um preto da orelha caída que só tem tamanho, mas que morre de medo do Chopp. Além de um cinza calminho de tudo e que o Chopp já fez questão de brigar. Ele é metidinho a briguento e corre atrás dos cachorros maiores, corre inclusive atrás dos cavalos, achando que eles são cachorros maiores ainda! E eu quase morro de medo de um cavalo correr atrás da gente.

Ontem eu estava passeando com o Chopp e na praça tinha uma cachorrinha muito lindinha. Preta com uns traços brancos. Uma que eu nunca tinha visto na praça. Conversei com o Chopp prá ele não avançar e fui lá falar com ela. Mas que coisinha mais linda! Era filhotinha, muito meiguinha, uma graça mesmo! Veio abanando o rabinho prá gente e ficou amiguinha do Chopp. Eles ficaram se cheirando. Ela era linda demais!

Pena que eu moro em apartamento e que um cachorro aqui já ocupa o espaço de dez. E infelizmente ninguém sabe o tamanho que aquela cachorrinha lindinha vai atingir. Mas o fato é que eu não paro de pensar nela. Tão pequenininha, tão indefesa! Meu Deus! Eu não deixo o meu nem chegar muito perto da escada, como alguém em sã consciência pode deixar um ser tão pequenininho sozinho na rua?

Perto da praça existe uma pizzaria, as meninas que trabalham lá também se apaixonaram pela pequenininha mas ninguém pode levar prá casa! É muita responsabilidade levar o bichinho prá casa, muda toda uma rotina, ela precisa de espaço. Agora, se é responsabilidade levar prá casa, se muda tanto a vida da gente como alguém pode abandonar? Sozinho? Tão pequenininho?

Estou pensando nela até hoje e, confesso estou me sentindo muito mal por não ter feito nada. Por ter deixado a pequenininha na rua, alí jogada à própria sorte! Minha mãe passeia com o Chopp quando chega do trabalho e levou comida para dar prá cachorrinha caso a encontrasse.

E não é que o Chopp achou a pequenininha? Saiu de perto da minha mãe e foi brincar com a cachorrinha que nem deu muita bola prá comida não, mas ficou pedindo atenção. E ela estava lá, quietinha, embaixo da mesa da pizzaria, do mesmo jeito que quando eu saí.

Hoje quando eu fui passear com o Chopp torci para encontrar a pequenininha, mas ela não mais estava lá... Tomara que alguém tenha levado a pequenininha prá casa, dado um bom banho e um nome para aquele cachorrinho que só queria brincar...

nessas horas eu me sinto tão pequena....

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A roda de samba encanta, acolhe, faz com que muita gente se aconchegue e faça amizades que nunca imaginaria. A roda de samba é um lugar propício para fazer novas amizades. Está sempre aberta, esperando por quem quer chegar e se aconchegar. O som da percussão chama a quem quiser ouvir, a quem estiver disposto a se entregar para os sons mais primitivos. A batida do pandeiro acompanha a batida do coração e o cavaquinho funciona como um acompanhamento aos nossos sentimentos.

Pouco importa a letra, ela sempre irá exprimir os sentimentos de um povo, que de uma forma ou de outra se tornarão os sentimentos de quem estiver ouvindo. O samba é muito mais do que um ritmo, do que uma música, o samba é um modo de vida. É uma forma de poesia, de expressão popular. É cultura, é quando o povo tem voz e quando a voz ecoa e se faz ouvir.

A roda de samba é o samba cantado com expressão, é uma reunião de amigos. De pessoas que se descobrirão amigos depois do primeiro refrão, cantado com o coração, sem nem menos saber a letra, quando se vê já está cantando. Entoando um tom que não se sabe da onde surgiu e nem como vai se desenvolver. O canto e a batucada faz com que todos naquele momento se tornem iguais.

É falando de amor que o sambista expressa suas aptidões, que expressa o que quer dizer e se faz entender. É falando de amor que diz que existe, e que apesar de todas as possíveis diferenças sócio- culturais, no fundo todo mundo é igual. É falando de amor que o sambista mostra o quanto o canto é importante e o quanto a pessoa amada é importante na sua vida. Assim como a matemática expressa sua lógica nas equações sempre tão corretas e sem nenhuma condição de dúvida, o sambista expressa nas letras do samba o quanto é igual a qualquer outro ser humano que ama.

O sambista é um romântico por natureza, é aquele que ama e que sente esse amor com uma intensidade um pouco mais exacerbada, mas que faz com que todos cantem o amor, de forma natural na letra do seu samba. É o amor! É ele que mais uma vez une as pessoas, e mostra como podemos todos ser unidos. Como não há necessidade alguma de guerra e como a paz não deve ser anunciada somente, como ela tão fácil pode ser cantada e vivida. O samba é a expressão do amor!

Toda essa definição de samba, da sua relação com o amor remete ao sentimento boêmio do menino que gosta de samba. O menino que ainda não conhece o amor, mas que acha que conhece, mesmo sem conhecer a si mesmo.

O samba traz consigo a boemia e junto com ela, uma vida vazia. Uma vida daquele que não sabe o que procurar. Uma vida daquele que quer ser popular, conquistar multidões mas que ainda não conquistou a si mesmo, pelo simples fato de não saber quem é.

O menino que gosta de samba cantarola todas as letras de amor, e jura estar falando da sua vida, mas não sabe levar a nostalgia para a vida real. Ele procura por todos os cantos aquele menino descrito nas melodias dos sambas que tanto gosta de ouvir, mas acaba se perdendo na boemia da roda de samba.

O menino ainda não descobriu o que todo mundo já sabe: Ainda é um menino procurando o seu espaço e encontra na vida alheia, a vida que gostaria de viver. Disseram pro menino que o amor é lindo e que o certo é sofrer por amor. Mas só vale a pena se o amor for verdadeiro, e o menino acreditou.

Esqueceram de contar que para ser amor deve haver cumplicidade. A cumplicidade só nasce com o tempo e o tempo há de perdurar. O menino não quis ouvir a parte esquisita do samba, ele preferiu ficar com aquele de uma nota só, para que a melodia não destoasse.

Ele inveja, mesmo sem querer o amor alheio. Acha que a vida de todo mundo é igual uma letra de samba. Aproveita sua vida e afoga as mágoas em um copo de cerveja. O menino não nota que o samba de todo mundo atravessa!

Ele esquece! Mas não é por maldade e nem por vaidade. Acha que para todos os erros existe um perdão, mas esquece da parte que as pessoas têm que assumir seus erros. Ele esquece e quer fazer da sua vida um espelho da vida de outrem. Quer encontrar exemplos reais, respostas das perguntas que não consegue encontrar nas letras dos sambas.

O menino que gosta de samba esqueceu de fazer a sua própria letra e resolveu viver do samba dos outros. Coitado do menino! Será que não percebe que esse samba já foi cantado? E o final não é muito agradável.

Esquece de buscar as verdades da vida e vive como em uma roda de samba. Vive uma vida boemia e não percebe que o samba também tem responsabilidades. O samba agrega e faz muita gente sorrir, mas o samba também pode fazer chorar.

A vida do pobre sambista não é uma vida só de maravilhas. É uma vida difícil e muitas vezes solitária. O sambista sempre tem a companhia do seu cavaquinho, do seu violão, mas muitas vezes não sente acolhido. Precisa do calor dos aplausos permanentes.

E o menino que gosta de samba adora contar suas habilidades, se fazer de herói, se mostrar o malandro, mas esquece de ouvir do rei da malandragem que a vida não é só sacanagem e muito ainda tem que aprender.

Esse menino é sensível! Adora expressar seus sentimentos, sabe contar seus pensamentos e acha que todo mundo adora ouvir. Ele esquece que a vida das pessoas não é só feita de samba. Depois do apagar das luzes que começa a vida real. Mas ele não está muito interessado no que acontece por trás do espetáculo.

O menino que gosta de samba deveria estar mais atento ao enredo, observar a vida e perceber que o grande barato do samba é quando é cantado e repetido com sentimento. O menino ainda tem que aprender o poder do samba, mas tem que aprender por si só. Não pode mais querer fazer samba de experiências que não teve.

Ahh ele bem que podia aprender a traduzir seus sentimentos em letras melódicas e deixar que sua vida não seja para sempre um refrão. Aprender a letra toda e não ficar se repetindo num sambinha meio sem graça só prá atrair multidões.

A vida do menino que gosta de samba não pode ser um refrão. Tem que ser uma vida repleta de magia, como um samba cantado e adorado por todos. Tem que brilhar na avenida! Mostrar sua ginga e ser por todo empolgante, não só o refrão.

Ahhh que bom seria se a vida fosse somente a boemia! Ahh como o mundo seria mais colorido se a batucada entoasse os devaneios e emoções de todos que ainda não sabem o que pensar. O que querer da vida além de uma roda de samba?

O que querer da vida além da cantoria da vida alheia, além da inspiração nas dores dos outros?

Esse menino que gosta de samba empaca no meio da melodia e faz com que seu samba não chegue a apoteose. O menino deixa de lado o enredo empacado e parte para outra melodia, para um samba mais fácil e não percebe que sempre volta ao ponto de partida.

A roda de samba fica mais bonita quando o samba empolga. Quando a multidão se olha e aprende a cantar. Mas a música que empolga também enjoa. A novidade só marca a quem ainda não a conhece. A novidade vive do primeiro impacto. Prá novidade a primeira impressão é a que fica. O primeiro refrão é o que empolga.

Nem todo samba que tem refrão tem enredo. O menino que gosta de samba já sabe cantar o refrão. Mas para o samba marcar precisa da primeira impressão.

O menino que gosta de samba quer ser o espetáculo! Ser o samba mais bonito, aquele que todo mundo sabe cantar! Ser a batucada que não cala e acima de tudo, ser a novidade. Ser o samba para quem acaba de descobrir que o samba é bom...