quinta-feira, 15 de maio de 2008

Estava hoje assistindo um documentário sobre crianças consumistas e como as crianças são influenciadas pelas mídia a se tornarem consumistas desde cedo... Uma empresa especializada em mkt infantil deu à crianças de 8 a 12 anos, os chamados tweens nos EUA, uma câmera fotográfica para que registrassem seus desejos e para que estes fossem repassados às empresas.


Unanimidade, fotografaram cartões de crédito. Só que não mais como as crianças de antigamente, que quando os pais falavam que não tinham dinheiro falavam para dar um cheque, sem o conhecimento de onde saía o dinheiro para cobrir os cheques... As crianças frisaram muito bem, queriam um cartão com saldo suficiente para satisfazer suas vontades.


Não se falou em balas, chicletes, mas sim em carros, salões de beleza. Nenhum ícone clássico da infância foi lembrado. Só queriam roupas de marcas famosas e produtos destinados originalmente aos adultos.


Em seguida falou-se da consumismo em bebês e em como a indústria anda explorando esse fillão. Agora, a maioria das grandes marcas têm sua versão baby, com o objetivo de fidelizar o cliente desde que ele não pode falar ou escolher o que quer. Assim, quando mais velho, terá uma relação emocional com a marca.


Falaram de Baby Einsten, Teletubbies, Barney e eu fiquei pensando, muito se fala e com tamanho saudosismo, da infância perdida, de como era viver antigamente, brincar na rua, correr, subiur em árvores. E tudo o que se atribui à essa "velha infância" com um saldo positivo.


Porém, e mesmo correndo o risco de ser massacrada, acredito ser um saudosismo exacerbado. Já que eu nunca subi em nenhuma árvore, não brincava na rua, tinha todas as Barbies que eram lançadas, todas as amigas da Moranguinho. Adorava tudo relacionado à Disney e suas princesas, sonhei conhecer a Disneylandia e me emocionei quando realizei esse sonho.


Confesso que fui, e sou consumista, talvez por isso faça uma especialização em marketing hoje.


E não acho que fui menos, ou mais feliz, que as crianças que fizeram tudo o que o clichê diz ser a infância perfeita. Não tenho parâmetros de comparação, já que digo pela minha vida, e certamente, como as crianças de hoje, eu e minha irmã infulenciávamos no consumo da família e certamente, meus filhos também o influenciarão.


Não gosto de saudosismo, não gosto mesmo, acho que o mundo segue em frente e quem fica parado no passado perde uma gama enorme de oportunidades que o futuro tem a oferecer. Aprendi a conviver com a minha época e, quem sabe, à frente do meu tempo, mas olhar prá trás, em alguns pontos é burrice.


O passado já passou e por mais lindo que possa ter sido não volta atrás, naquela época, certamente era um presente pior do que o tempo que o antecedia. Isso sempre irá existir.


Hoje vivemos na sociedade do consumo, e correndo o risco novamente de ser apedrejada, não vejo mal nenhum nisso. Hoje nossas escolhas são respeitadas e mesmo que isso seja uma forma de se enganar, eu não vejo porque não aproveitar o melhor que o presente tem a nos oferecer e construir um futuro em cima do que acreditamos.


Por mais escravos da mídia, que possamos ter nos tornado, somos livres para desligar a televisão, sair da Internet e principalmente para pensar. Na minha opinião, a liberdade de pensamento e de escolhas é muito mais significativa que subir em árvore e se atolar na lama...


Para ilustrar, uma foto do meu priminho com seu casaco Tommy Baby. Será que ele vai ser um feroz consumista nesse mundo selvagem?


quarta-feira, 14 de maio de 2008

Estou nesse período, assim de entresafra mesmo. Até o final do ano passado minha vida estava muito corrida, estava buscando ao máximo um tempo prá ficar sozinha, prá aproveitar as pequenas coisas da vida. Passear com meu cachorro, ver televisão de tarde- de noite, de manhã, de madrugada, qualquer hora que desse- voltar prá academia, ligar prá alguém, conversar sobre assuntos banais.
Estava tudo tão corrido, eu estagiava em uma cidade, estudava em outra e morava em uma terceira. Só via a minha casa até as 6h da manhã e depois das 11h da noite, eu lia no ônibus, estudava no ônibus, falava ao telefone no caminho e comia quando dava... Esperava ansiosamente pelo final de semana só prá ter um tempo prá não fazer nada... tempo esse que começava no sábado à tarde, porque no sábado de manhã eu fazia curso de inglês. Isso quando não tinha evento no trabalho e eu chegava bem mais tarde, e ainda pegava estrada bem tarde.

E ainda tinha a monografia.... ahhh!!!! a monografia!!!! só ela já me rendia um cansaço mental incalculável!!!!

Estava tão estressada que não via a hora que isso tudo acabasse, só prá eu ter um tempinho, sem estar morrendo de cansaço, prá fazer minhas unhas, cuidar do meu cabelo... e prá ficar sem fazer nada mesmo...

Eis que quando a faculdade acabou, o estágio acabou eu decidi que seria ótimo, já que precisava mesmo de umas férias... Nossa!!! Como eu fiquei feliz!!!

É meio paradoxal, mas eu fiquei feliz mesmo... e nem pensei na falta que o emprego me faria, já que não tinha a menor vontade de ser efetivada aonde estagiava... estava tão certa que tudo daria certo, que encarei tudo como umas férias merecidas!!! e como eu precisava de férias!!!

Agora já fiz tudo que queria fazer, já aproveitei tudo que queria aproveitar, já fiquei a toa tempo superior ao que eu queria ficar e essa entresafra já me cansa...

como o ser humano é paradoxal?!?!? e como a gente não sabe o que quer!!!

Principalmente no meu caso...

Então, mesmo que já de saco cheio dessas "férias" vou aproveitá-las até 0 último minuto.. porque sim, elas estão chegando ao fim!!!!

Tenho que aprender a viver o momento.. essa foi a minha única resolução de ano novo....

terça-feira, 13 de maio de 2008

Tudo começa a entrar nos eixos, tudo começa a se acertar. Pelo menos é o que parece. É a hora da colheita.

Vamos todos acreditar que sim, porque se não acreditarmos nada mais na vida valerá a pena.

É chegada a hora do começo e eu não tenho medo de começar...

domingo, 11 de maio de 2008

Datas comemorativas têm um sabor especial. Parece que as dores e os amores ficam mais exarcebados nessas datas. E todos que pensam e, de uma forma ou de outra, podem atrapalhar os nossos planos, ou os nossos instintos, são vistos como inimigos. Mesmo sem querer, mesmo sem que eles ao menos saibam disso.

Não sei quando vou poder realizar certos sonhos intrísecos, que nem mesmo sei se são sonhos ao certo, e de qualquer forma, mesmo sem querer, é mais fácil culpar os outros do que a si próprio.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Estou prcisando exercitar minhas habilidades, voltar a ativa. Na verdade, a palavra certa seria entrar na atividade. Estou cansada de não fazer nada e quero voltar a ser útil para o mundo. Também qero gahar o meu dinheiro, o que me faz muita falta. Mas a minha motivação maior, nesse momento, é precisar mostrar que eu sou capaz.

Que eu posso ultrapassar minhas próprias barreiras e fazer o melhor. Posso e devo levar a vida de uma forma mais leve. Fazer com que o trabalho seja uma extensão da minha vida, com os meus gostos e minhas preferências.

Atualmente esse é o meu objetivo e minha motivação: trabalhar no que gosto, no que estou estudando, na minha área de formação e ser muito feliz!!!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Eu sou mulherzinha sim, não nego. Nã0 tenhos pretensões literárias embora possa ter algumas aspirações. Na verdade são são sonhos que repousam em luzes brilhantes alojados em um lugar bem distante de mim.

Eu sou da geração Coca Cola, mas nem tanto. Apesar de eu ODIAR Coca Cola, não suporto nem o cheiro e não sei como alguém consegue se viciar em uma coisa com gosto de água com xarope. Eu juro que já tentei gostar mas não dá. Eu simplesmente detesto Coca Cola. Mas isso não quer dizer que eu não goste de Mc Donald´s e muito menos que eu tenha aspirações socialistas. Eu posso ser o símbolo máximo do capitalismo sem Coca Cola e trocando o Mc Donald´s pelo Bobs, pelo menos o Milk Shake, posso amar de paixão os EUA, ser aluscinada com Nova York e escrever direito. Eu posso amar a academia, mas não preciso ficar falando nisso o tempo todo e nem escrever tudo errado e ao mesmo tempo entender tudo de suplementos.

Sabe qual o livro que estou lendo? Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes. E eu também ´já li Mulheres Boazinhas não enriquecem. O próximo da fila é Rumo ao Topo. Tudo bem que eu fico com uma certa vergonha de ler esses títulos em lugares públicos, mas a gente sempre aprende alguma coisa, nem que seja como não fazer e o que não mais ler. Mulheres Boazinhas Não Enriquecem então, eu levava todo dia pro trabalho e lia no caminho de ida e volta, por isso eu fiquei um mês levando uma bolsa enorme para abrigar o título de nome sugestivo, e logo em seguida li Stuart Hall para me sentir um pouco melhor.

Eu, nesse ócio criativo até demais que se tornou a minha vida, eu fiquei imensamente feliz ao ver que sabe-se lá porque a Sky ouviu as minhas preces e voltou a passar E! Entreteniment. E como eu fiquei feliz por isso! Agora ao invés de ver a Sônia Abrão entrevistanto os travestis do Ronaldinho e o Leão Lobo falando dos ex bbbs decadentes artistas eu posso ver a Chelsea falando da Britney e mandando a Hanna Montana engravidar.

Eu posso passar a tarde vendo o Dr Rey falando da sua triste infância em São Paulo na selva brasileira e fazendo cirurgias plásticas em mulheres que querem reconstituir a vagina. Eu gosto dessas coisas, não de reconstrução de vaginas, mas de canais que falem sobre banalidades de forma respeitosa. Afinal banalidades são a vida de alguém. Podemos sim falar de musculação com respeito. Assim como faz o meu canal preferido #2 a GNT.

Esse é o meu ócio criativo de todas as tardes, agora bem que a SKY podia ser boazinha ao cubo e liberar o MTV Hits e o Fashion TV tb.. aí sim o mundo seria perfeito.

E por falar em televisão, que vergonha alheia da prova do Aprendiz de ontem. Chegou a me dar frio na barriga de ver uma coisa tão mal planejada. Meu Deus do Céu! Se aqueles foram os melhores de 50 mil, eu não gosto nem de imaginar os que perderam... Meu Deus!!! eu sinceramente não gostaria nem de ir a uma festinha de aniversário organizada por aquelas pessoas..

terça-feira, 6 de maio de 2008

E quando se está certo do que se quer fazer e se sente um pequeno arrependimento do que não se fez para atingir o atual objetivo???

Será que não conseguia ver o óbvio o tempo todo ou será que agora não estou conseguindo ver mais nada?

As coisas mudam, mas são cíclicas e é impressionante como neste ponto estão voltando para o ponto de partida. Um instante de recolhimento, reconhecimento pessoal, momento de reflexão. Mesmo sem querer é um momento de se voltar para si próprio, sem achar que para isso é necessário fazer um retiro espiritual.

Olhar para si é ver a vida passando como um filme, com uma trilha sonora irreverente e o que se achava um drama, era na realidade uma cena de humor. Um dramalhão mexicano, passa a ser uma comédia meio sem sentido, que mais parece uma lição de como se fazer o certo e ver que o errado nada mais era que uma brincadeirinha do destino.

As coisas estão fazendo sentido, não todas as coisas, porque o mundo não é perfeito e as árvores não são de papel. A dor hoje não dói. O amor passou a ser consequência e a vida ficou mais leve sobre os ombros.

A vida faz sentido! Mas não o sentido que queria que fizesse. As dúvidas estão ficando para trás e dores irreversíveis, dramas universais hoje são vírgulas onde o final é uma exclamação.

As vocações estão exarcebadas e é esse o momento que realmente isso tinha que acontecer.

Parece extremamente clichê, mas as coisas acontecem exatamente quando elas têm que acontecer...

não é à toa que isso aqui são planos incertos...

terça-feira, 4 de março de 2008

Por enquanto é só isso galeritsse... sabe o que é eu tô maior feliz....tô mesmo... Hj eu tive a maior certeza que as coisas estão dando muito certo e que eu estou caminhando pelo caminho certo....as coisas do passado definitivamente ficaram prá tras...definitivamente mesmo!!! agora...eu vou ver se dou uma atualizada sempre nisso aqui....se arrumo ou deixo este blog de uma vez por todas...É muito bom vc saber que tem pessoas que gostam de vc, e muito melhoe é gostar da gente não é não??? as vezes a gente acha que tudo está dando errado, que tudo é um complô para que os nossos planos nunca dêem certo e desconbre, do nada, que um passo "mal dado", um passo fora do script, fora do que a gente achava que tinha que fazer prá tudo dar certo foi o passo mais certo de tudo que está acontecendo...tudo muda e fica muito melhor!!!! Aí a gente se dá conta que não adianta nada ficar horas fazendo planos q viver cada momento, até aquele que a gente acha que naum serve prá nada...só pra preencher o vazio entre um momento que a gente lamenta ter passado e o momento que a gente tá esperando chegar, foi o melhor momento que poderia ter acontecido, e faz com que a gente naum lamente mais o passado e q o momento futuro se transforme em um momento cada vez mais presente e a gente se sente uma idiota de ter esperado tanto tempo um futuro, que agora, não faz o menor sentido!!!!! É impressionante como a vida dá umas voltas e a gente acaba se perdendo por elas.... naum vou falar muita coisa mais...pra naum me expor ainda mais....mas acho que tá dando prá entender perfeitamente o que está acontecendo....

Essas palavras eu escrevi há exatos 3 anos, dia 3 de março de 2005, em um outro blog que eu tinha... Mesmo sem querer e sem nenhuma pretenção, foram as palavras mais certas que escrevi em toda a minha vida... Muita coisa mudou, mas o que eu coloquei como definitivo aí nesse post antigo, hoje se mostra como real e cada vez mais definitivo.

Acredito que tenha sido um caminho o qual eu não posso mais desviar e sinto que, agora depois de três ano, as coisas se tornem cada vez mais inevitáveis, e talvez nesse dia 03 de março eu tenha escolhido o meu futuro. Tenha escolhido o caminho pelo qual percorrei para sempre, essa escolha foi sim, uma escolha definitiva... mas da mesma forma que há três anos, vou continuar sem falar muita coisa para não me expor ainda mais....

Até porque... eu permaneço com minhas certezas, mas desde aquele dia.... eu não mais faço planos....

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A roda de samba encanta, acolhe, faz com que muita gente se aconchegue e faça amizades que nunca imaginaria. A roda de samba é um lugar propício para fazer novas amizades. Está sempre aberta, esperando por quem quer chegar e se aconchegar. O som da percussão chama a quem quiser ouvir, a quem estiver disposto a se entregar para os sons mais primitivos. A batida do pandeiro acompanha a batida do coração e o cavaquinho funciona como um acompanhamento aos nossos sentimentos.

Pouco importa a letra, ela sempre irá exprimir os sentimentos de um povo, que de uma forma ou de outra se tornarão os sentimentos de quem estiver ouvindo. O samba é muito mais do que um ritmo, do que uma música, o samba é um modo de vida. É uma forma de poesia, de expressão popular. É cultura, é quando o povo tem voz e quando a voz ecoa e se faz ouvir.

A roda de samba é o samba cantado com expressão, é uma reunião de amigos. De pessoas que se descobrirão amigos depois do primeiro refrão, cantado com o coração, sem nem menos saber a letra, quando se vê já está cantando. Entoando um tom que não se sabe da onde surgiu e nem como vai se desenvolver. O canto e a batucada faz com que todos naquele momento se tornem iguais.

É falando de amor que o sambista expressa suas aptidões, que expressa o que quer dizer e se faz entender. É falando de amor que diz que existe, e que apesar de todas as possíveis diferenças sócio- culturais, no fundo todo mundo é igual. É falando de amor que o sambista mostra o quanto o canto é importante e o quanto a pessoa amada é importante na sua vida. Assim como a matemática expressa sua lógica nas equações sempre tão corretas e sem nenhuma condição de dúvida, o sambista expressa nas letras do samba o quanto é igual a qualquer outro ser humano que ama.

O sambista é um romântico por natureza, é aquele que ama e que sente esse amor com uma intensidade um pouco mais exacerbada, mas que faz com que todos cantem o amor, de forma natural na letra do seu samba. É o amor! É ele que mais uma vez une as pessoas, e mostra como podemos todos ser unidos. Como não há necessidade alguma de guerra e como a paz não deve ser anunciada somente, como ela tão fácil pode ser cantada e vivida. O samba é a expressão do amor!

Toda essa definição de samba, da sua relação com o amor remete ao sentimento boêmio do menino que gosta de samba. O menino que ainda não conhece o amor, mas que acha que conhece, mesmo sem conhecer a si mesmo.

O samba traz consigo a boemia e junto com ela, uma vida vazia. Uma vida daquele que não sabe o que procurar. Uma vida daquele que quer ser popular, conquistar multidões mas que ainda não conquistou a si mesmo, pelo simples fato de não saber quem é.

O menino que gosta de samba cantarola todas as letras de amor, e jura estar falando da sua vida, mas não sabe levar a nostalgia para a vida real. Ele procura por todos os cantos aquele menino descrito nas melodias dos sambas que tanto gosta de ouvir, mas acaba se perdendo na boemia da roda de samba.

O menino ainda não descobriu o que todo mundo já sabe: Ainda é um menino procurando o seu espaço e encontra na vida alheia, a vida que gostaria de viver. Disseram pro menino que o amor é lindo e que o certo é sofrer por amor. Mas só vale a pena se o amor for verdadeiro, e o menino acreditou.

Esqueceram de contar que para ser amor deve haver cumplicidade. A cumplicidade só nasce com o tempo e o tempo há de perdurar. O menino não quis ouvir a parte esquisita do samba, ele preferiu ficar com aquele de uma nota só, para que a melodia não destoasse.

Ele inveja, mesmo sem querer o amor alheio. Acha que a vida de todo mundo é igual uma letra de samba. Aproveita sua vida e afoga as mágoas em um copo de cerveja. O menino não nota que o samba de todo mundo atravessa!

Ele esquece! Mas não é por maldade e nem por vaidade. Acha que para todos os erros existe um perdão, mas esquece da parte que as pessoas têm que assumir seus erros. Ele esquece e quer fazer da sua vida um espelho da vida de outrem. Quer encontrar exemplos reais, respostas das perguntas que não consegue encontrar nas letras dos sambas.

O menino que gosta de samba esqueceu de fazer a sua própria letra e resolveu viver do samba dos outros. Coitado do menino! Será que não percebe que esse samba já foi cantado? E o final não é muito agradável.

Esquece de buscar as verdades da vida e vive como em uma roda de samba. Vive uma vida boemia e não percebe que o samba também tem responsabilidades. O samba agrega e faz muita gente sorrir, mas o samba também pode fazer chorar.

A vida do pobre sambista não é uma vida só de maravilhas. É uma vida difícil e muitas vezes solitária. O sambista sempre tem a companhia do seu cavaquinho, do seu violão, mas muitas vezes não sente acolhido. Precisa do calor dos aplausos permanentes.

E o menino que gosta de samba adora contar suas habilidades, se fazer de herói, se mostrar o malandro, mas esquece de ouvir do rei da malandragem que a vida não é só sacanagem e muito ainda tem que aprender.

Esse menino é sensível! Adora expressar seus sentimentos, sabe contar seus pensamentos e acha que todo mundo adora ouvir. Ele esquece que a vida das pessoas não é só feita de samba. Depois do apagar das luzes que começa a vida real. Mas ele não está muito interessado no que acontece por trás do espetáculo.

O menino que gosta de samba deveria estar mais atento ao enredo, observar a vida e perceber que o grande barato do samba é quando é cantado e repetido com sentimento. O menino ainda tem que aprender o poder do samba, mas tem que aprender por si só. Não pode mais querer fazer samba de experiências que não teve.

Ahh ele bem que podia aprender a traduzir seus sentimentos em letras melódicas e deixar que sua vida não seja para sempre um refrão. Aprender a letra toda e não ficar se repetindo num sambinha meio sem graça só prá atrair multidões.

A vida do menino que gosta de samba não pode ser um refrão. Tem que ser uma vida repleta de magia, como um samba cantado e adorado por todos. Tem que brilhar na avenida! Mostrar sua ginga e ser por todo empolgante, não só o refrão.

Ahhh que bom seria se a vida fosse somente a boemia! Ahh como o mundo seria mais colorido se a batucada entoasse os devaneios e emoções de todos que ainda não sabem o que pensar. O que querer da vida além de uma roda de samba?

O que querer da vida além da cantoria da vida alheia, além da inspiração nas dores dos outros?

Esse menino que gosta de samba empaca no meio da melodia e faz com que seu samba não chegue a apoteose. O menino deixa de lado o enredo empacado e parte para outra melodia, para um samba mais fácil e não percebe que sempre volta ao ponto de partida.

A roda de samba fica mais bonita quando o samba empolga. Quando a multidão se olha e aprende a cantar. Mas a música que empolga também enjoa. A novidade só marca a quem ainda não a conhece. A novidade vive do primeiro impacto. Prá novidade a primeira impressão é a que fica. O primeiro refrão é o que empolga.

Nem todo samba que tem refrão tem enredo. O menino que gosta de samba já sabe cantar o refrão. Mas para o samba marcar precisa da primeira impressão.

O menino que gosta de samba quer ser o espetáculo! Ser o samba mais bonito, aquele que todo mundo sabe cantar! Ser a batucada que não cala e acima de tudo, ser a novidade. Ser o samba para quem acaba de descobrir que o samba é bom...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A vida é sempre tão surpreendente. Com freqüência usamos esta expressão para denominar o que estamos passando. O que poderia ter sido e não foi e fez com que os caminhos se desencontrassem, fazendo uma verdadeira confusão de sentimentos. Sentir, sentir, sentir.. não seria mais fácil se nada sentíssemos? Não seria mais sensato, mais verdadeiro que as coisas só passassem pela superficialidade do racional? Se for tão sensato ser racional, quem disse que é legal ser sensato?

Voltando aos fatos ultra-surpreendentes da vida moderna existe uma discrepância tão grande nesse negócio de ver no trabalho uma razão para encontrar a felicidade. E muitas vezes a felicidade de fazer o que se gosta está tão longe do que se faz. O dinheiro, a recompensa acaba valendo mais do que o trabalho feito, eu não consigo trabalhar assim. Não consigo sequer ver graça no salário, na recompensa, pois sinto como se estivesse traindo a mim mesma. Fazendo o que não me agrada nem um pouco em troca de uma recompensa no final. Mas recompensa pra que se eu não fiz nem a metade do que eu poderia ter feito. É um pouco pesado? É. Mas a analogia com uma forma de prostituição, talvez prostitua meu intelecto, é recorrente, já que estou fazendo o que eu não quero, só pelo prazer que terei em receber no final.

Surpreendente? Se eu fosse mais racional, se pensasse e programasse meus atos, talvez não teria que lidar com tantos fatores surpresa. Mas todos nós temos que aprender a conviver com a surpresa, bom seria se as coisas fossem lineares, aliás nem sei se seria tão bom também.

Já imaginou viver uma vida linear? Com começo, meio e fim? Nem os meus textos têm começo meio e fim- não nessa ordem-, nem as minhas idéias têm começo, meio e fim, as minhas conversas não têm começo, meio e fim, então por que cargas d’água a minha vida têm que ter começo, meio e fim? Eu sei recomeçar. Eu adoro recomeçar, eu não tenho medo de recomeçar. A minha vida é um eterno recomeço.

Eu preciso saber que eu posso voltar atrás, eu preciso andar pra frente, mas também preciso andar para os lados. Deu pra entender? Quando se anda pra frente o caminho é extenso, a estrada é linear, mas existe a paisagem. E a paisagem, a vista, muitas vezes é mais interessante que o próprio caminho. Eu não posso seguir em frente sem prestar atenção na estrada. A cada dia que passa eu percebo que posso parar e admirar a paisagem, que tenho muito a descobrir pelo caminho, mesmo que retarde a minha chegada. Eu posso não fazer a viagem no mesmo tempo que você, mas certamente, o meu caminho é bem mais proveitoso -ou não-.

E agora estou pronta pra começar. Recomeçar? Não! Começar mesmo, e pela primeira vez eu não estou com medo, eu não acho que não vai dar certo. Eu sei que vai dar. Às vezes o caminho é tortuoso, mas esse em especial, eu sei que não vai ser, que vai ser lindo, que terão muitas descobertas e muitas coisas pra fazer. Agora eu sinto que estou pronta, não sei o porquê, não sei como e nem quero saber, só sei que agora vai dar certo. Não que das outras vezes não tenha dado certo, mas pela primeira vez é certo. É muito certo!

Surpresas, surpresas e mais surpresas. A vida é assim. Os textos também.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Quem começou com essa história de classificar as pessoas? Por que todo mundo em algum momento da vida tem que ser classificado como alguma coisa? Eu não posso simplesmente ser a Thaís Lopes e ponto final. NÃO!!! Eu tenho que ser classificada, tenho que ser enquadrada dentro de alguns padrões de identidade para ser considerada um ser humano "normal".
E que história é essa de ser normal? Qual o título que garante a normalidade a alguém?

O que eu tenho que vc não tem pode ser uma vantagem prá mim.. ponto!!! Como o que vc tem que eu não tenho pode ser uma vantagem prá vc.. ponto prá vc!!! Mas pq necessariamente uma vantagem? Por que o que eu tenho de diferente não pode ser considerado apenas uma diferença?

Por que não pode ser somente parte da minha personalidade? O que necessariamente seria uma pessoa normal para que todos se enquadrem neste padrão? Agora eu não posso mais estar envolta em meus pensamentos, já reparou?! Pensar muito é doença!!! Doença disso, doença daquilo. Confesso inclusive que tenho mania de doença.. e por falar em mania, meus hábitos seriam manias nunca antes descobertas?!?! O que seriam as manias? E que padrão de identidade confere normalidade à maioria?

Ser diferente é normal??!?!?! Não!!!! Ser diferente é ser diferente e o que tem de mal em não ser normal?!? Que paranóia coletiva essa classificação em massa de gente!!! Daqui a pouco começam a numerar pessoas e a partir da normalidade criar uma raça perfeita!!! Ihhh esqueci! Alguém já fez isto.. já quis classificar gente e excluir os "imperfeitos"., queria construir uma raça superior, alguém lembra disso?!?! E por acaso, ele era normal?

Ser diferente NÃO é normal, pode ser legal, mas normal não é!!! As pessoas são diferentes e a partir da diversidade se constróem novas possibilidades!!!!

E quem disse que eu sou diferente de vc? Nunca passei um tempo nos seus pensamentos para saber se somos iguais, ou ao menos parecidos, será? Mas que engraçado seria descobrir que, no final, todos são exatamente iguais, e exatamente NORMAIS...

É se assim for vc vai ter que se acostumar com o fato de pensar o que aquela menina insuportável da mesa ao lado pensa da mesma forma que vc, só muda o sujeito!!! Será?!??!!?

Prefiro acreditar que não. Prefiro ser diferente e simplesmente não seguir classificação nenhuma..

Ser diferente, é ser diferente! E ponto final!!!