Estava hoje assistindo um documentário sobre crianças consumistas e como as crianças são influenciadas pelas mÃdia a se tornarem consumistas desde cedo... Uma empresa especializada em mkt infantil deu à crianças de 8 a 12 anos, os chamados tweens nos EUA, uma câmera fotográfica para que registrassem seus desejos e para que estes fossem repassados à s empresas.
Unanimidade, fotografaram cartões de crédito. Só que não mais como as crianças de antigamente, que quando os pais falavam que não tinham dinheiro falavam para dar um cheque, sem o conhecimento de onde saÃa o dinheiro para cobrir os cheques... As crianças frisaram muito bem, queriam um cartão com saldo suficiente para satisfazer suas vontades.
Não se falou em balas, chicletes, mas sim em carros, salões de beleza. Nenhum Ãcone clássico da infância foi lembrado. Só queriam roupas de marcas famosas e produtos destinados originalmente aos adultos.
Em seguida falou-se da consumismo em bebês e em como a indústria anda explorando esse fillão. Agora, a maioria das grandes marcas têm sua versão baby, com o objetivo de fidelizar o cliente desde que ele não pode falar ou escolher o que quer. Assim, quando mais velho, terá uma relação emocional com a marca.
Falaram de Baby Einsten, Teletubbies, Barney e eu fiquei pensando, muito se fala e com tamanho saudosismo, da infância perdida, de como era viver antigamente, brincar na rua, correr, subiur em árvores. E tudo o que se atribui à essa "velha infância" com um saldo positivo.
Porém, e mesmo correndo o risco de ser massacrada, acredito ser um saudosismo exacerbado. Já que eu nunca subi em nenhuma árvore, não brincava na rua, tinha todas as Barbies que eram lançadas, todas as amigas da Moranguinho. Adorava tudo relacionado à Disney e suas princesas, sonhei conhecer a Disneylandia e me emocionei quando realizei esse sonho.
Confesso que fui, e sou consumista, talvez por isso faça uma especialização em marketing hoje.
E não acho que fui menos, ou mais feliz, que as crianças que fizeram tudo o que o clichê diz ser a infância perfeita. Não tenho parâmetros de comparação, já que digo pela minha vida, e certamente, como as crianças de hoje, eu e minha irmã infulenciávamos no consumo da famÃlia e certamente, meus filhos também o influenciarão.
Não gosto de saudosismo, não gosto mesmo, acho que o mundo segue em frente e quem fica parado no passado perde uma gama enorme de oportunidades que o futuro tem a oferecer. Aprendi a conviver com a minha época e, quem sabe, à frente do meu tempo, mas olhar prá trás, em alguns pontos é burrice.
O passado já passou e por mais lindo que possa ter sido não volta atrás, naquela época, certamente era um presente pior do que o tempo que o antecedia. Isso sempre irá existir.
Hoje vivemos na sociedade do consumo, e correndo o risco novamente de ser apedrejada, não vejo mal nenhum nisso. Hoje nossas escolhas são respeitadas e mesmo que isso seja uma forma de se enganar, eu não vejo porque não aproveitar o melhor que o presente tem a nos oferecer e construir um futuro em cima do que acreditamos.
Por mais escravos da mÃdia, que possamos ter nos tornado, somos livres para desligar a televisão, sair da Internet e principalmente para pensar. Na minha opinião, a liberdade de pensamento e de escolhas é muito mais significativa que subir em árvore e se atolar na lama...
Para ilustrar, uma foto do meu priminho com seu casaco Tommy Baby. Será que ele vai ser um feroz consumista nesse mundo selvagem?